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Patrick, coreógrafo da Ilha, fala de superação pessoal e futuro do quesito

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Um dos bons nomes da nova geração do carnaval carioca, Patrick Carvalho vem se destacando através de suas belas comissões de frente. Em depoimento ao Tudo de Samba, aproveitou para avaliar as notas de 2015 e fazer um reflexão bastante interessante sobre o seu quesito, ao qual atribuiu urgente necessidade de um passo atrás. No último dia onze de março sofreu um baque pessoal imenso, ao perder sua mulher, Adriana Van Lima, companheira por nove anos e destaque no cenário brasileiro  de dança. Falou sobre como a arte e o trabalho são terapêuticos no sentido de reduzir a dor de tamanha perda e de como foi difícil entrar na avenida sem ela, que estava internada, pela primeira vez.

– Estou bem, trabalhando bastante, isso ajuda muito a aliviar minha dor. Viajo muito a trabalho, todo fim de semana estou fora do Rio, em cursos de dança. Agora mesmo, dia seis, irei novamente a Kobe, no Japão, cuidar do carnaval de lá e ficarei até o fim de maio. A minha querida Adriana era uma mulher maravilhosa e fomos felizes por nove anos lindos. Era muito jovem quando a conheci, tinha talento mas ela me trouxe equilíbrio e profissionalismo. Este ano foi a primeira vez que pisei no desfile sem ela e foi um baque. Ela havia internado quatro semanas antes mas acompanhou pela televisão, apesar do seu estado. Só a arte para superar isso e esta ligação teremos eternamente – concluiu, emocionado.

patriclempéEm relação à notas da última apresentação (dois dez e dois nove vírgula nove, um descartado), já pela União da Ilha, Carvalho leu atentamente as justificativas, que atestaram problemas com a indumentária gigante, o que de certa forma era um risco que ele não queria correr.

– Achei que a roupa estava grande, sim. Tudo que não quero é dar motivo para o jurado tirar um décimo. Amei trabalhar com Alex de Souza, que carnavalesco fantástico. O carro que ele fez para comissão de frente foi extraordinário, tudo nos mínimos detalhes que eu havia sonhado. Vinha de uma parceria sólida com Wagner Gonçalves e isso se repetiu no Alex, um sujeito tranquilo e muito competente – elogiou.

Depois do bate-boca público envolvendo o casal de coreógrafos da Grande Rio, Priscilla Mota e Rodrigo Neri,  e Paulo Barros, sobre a participação de cada um nos trabalhos históricos da Unidos da Tijuca, o ícone Marcelo Misailidis chegou a dizer que cada contrato rege um tipo de participação, dependendo do que o contratante determinar (leia aqui). Patrick também entende assim e acrescenta que não deseja sair da Ilha exatamente pelo fato de ter toda responsabilidade pela criação e execução das comissões de frente. Elogia a estrutura da escola, que possibilitou a ele completar o trabalho três semanas antes do desfile. Além disso, se diz ansioso pelo contato inicial com os carnavalescos Jack Vasconcelos e Paulo Menezes, esperando detalhes do novo enredo, ainda não divulgado.

– Aqui na Ilha é sensacional, tenho toda liberdade criativa e a responsabilidade de tocar o projeto integralmente. Por isso, não penso em sair daqui, amo este lugar de trabalho. É uma casa com bastante estrutura. Estou ansioso em ter maior contato com os carnavalescos. O Jack Vasconcelos é muito bem falado e acompanho demais seu trabalho, sempre acima da média. Vai acabar acontecendo o que rolou ano passado. Vou para o Japão e lá ficarei sabendo os detalhes do tema e, assim, na Ásia, poderei refletir e já voltarei com as ideias adiantadas – vibrou.

 Quanto aos rumos do quesito no carnaval carioca, o artista acredita que o momento é de dar um passo atrás. Identifica que os últimos anos revelaram muita incerteza nos critérios de apresentação e julgamento e tem certeza que alguns coreógrafos vão repensar o gigantismo de suas criações. Pessoalmente, garante que diminuirá o tamanho do componente alegórico da comissão de frente, isso se usar, já que é um admirador confesso das comissões puras.

– A ideia é de dar um passo atrás para se dar dez à frente, depois. Quem precisa vir grande, virá. Os que acham, como eu , que não podem dar mole para o jurado, deixar na reta, vão reduzir de tamanho. Gosto de comissão tradicional, também, sem alegoria. Vamos ver como ficará, mas estamos numa fase em que não se sabe se o ideal é vir tradicionalmente e você acaba apanhando feio ou se vem na piração e se ferra todo. A tendência é chegar com mais parcimônia, mais cuidado e conseguir as quatro notas dez, com bela execução e muita criatividade. vamos trabalhar muito neste sentido. – finalizou.

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