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Carnaval 2018: Régis Santos deixa o comando da comissão de frente da Unidos do Peruche

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Nesta segunda-feira, o renomado diretor, coreógrafo, ator e produtor teatral se desligou da Unidos do Peruche, agremiação em que estreou como coreógrafo e diretor cênico da comissão de frente. A famosa ala teatral Samba-Cênico, idealizada e dirigida por Régis e coordenada pelos atores Raphael Bueno, Janaína Mello e Jamily Leopoldino, também não estará mais presente nos carnavais da Filial do Samba. Foram três anos de participações em alas e alegorias da escola. Esse ano, o grupo brilhou encenando na alegoria que representava o Pelourinho e foi aplaudida de pé pelo público presente no Sambódromo do Anhembi.

Foto: Paulo Pinto/LigaSP/Fotos Públicas

Régis Santos assumiu em 2016 um dos maiores desafios da carreira artística: a comissão de frente da Unidos do Peruche. Ele teve como missão criar uma coreografia ousada, impactante, criativa e emocionante. Foram oito meses de ensaios com uma equipe de 36 atores, divididos em três elencos. O grupo abria o desfile trazendo “O mar, a magia e o amor”, nome do primeiro setor do enredo “A Peruche no maior axé, exalta Salvador, cidade da Bahia, caldeirão de raças, fé, cultura e alegria”, idealizado pelo carnavalesco Murilo Lobo.

O coreógrafo optou por um grupo vasto entre atores e bailarinos, a maioria estreante em comissão de frente e originária do Samba-Cênico. A performance mostrou momentos importantes da história de Salvador. O primeiro, representou o naufrágio da caravela do português Diego Alvares, único sobrevivente da ira do mar.

No segundo, o encontro do navegador com os índios Tupinambás. Armado, o português mata um pássaro, assustando os indígenas com o estrondo do tiro. Ele passa, então, a ser idolatrado e conhecido como o “Deus do Trovão”. Nesse momento, Moema se apaixona por ele, porém é a primogênita Paraguassu que é oferecida como esposa ao europeu. Moema, inconformada, morre afogada nos braços de Iemanjá, na Baía de Todos-os-Santos.

No terceiro ato, ícones culturais como: Doces Bárbaros, Gilberto Gil, Glauber Rocha, Irmã Dulce, Gal Costa, Maria Bethânia, Raul Seixas, Dorival Caymmi, Jorge Amado, Caetano Veloso, Castro Alves, Jorge Amado, Nosso Senhor do Bonfim e Rui Barbosa e ícones religiosos como as mães de santo e os orixás Oxum e Iemanjá invadiram a avenida para agradecer e reverenciar a Peruche pela homenagem prestada a Salvador.

O elenco ainda contou com um elemento alegórico em forma de caldeirão com 4 metros e meio de altura e 8 metros de diâmetro, de onde subiam e desciam os atores para a troca do ato. “Saio desse projeto feliz, realizado e, principalmente, muito agradecido à direção da Peruche, ao presidente Ney de Moraes e toda a comunidade. Agora é preciso seguir em frente e aguardar os desafios que virão”, afirma Régis.

 

Régis Santos e Projeto Samba-Cênico

O artista traz em seu vasto currículo de 30 anos de carreira importantes peças como “Cidadão de Papel”, “Prometeu Enjaulado” e “Torre de Babel”. Também atuou em musicais como “Casa de Brinquedo” e “Canção para os Direitos das Crianças”, de autoria do cantor e compositor Toquinho, e “Os Possessos”, com direção de Antônio Abujamra. Nos cinemas, atuou em produções como “Carandiru, o Filme”, entre outras.

Régis também soma mais de 20 anos de história no Carnaval de São Paulo, onde já foi passista, chefe de Ala, destaque de alegoria, mestre-sala, apoio de casal e compositor. Ele resolveu juntar suas duas maiores paixões: carnaval e teatro, dando origem ao Samba-Cênico.

Convidados pelo então carnavalesco Murilo Lobo, o grupo preparou uma coreografia cênica para a segunda alegoria da Unidos do Peruche em 2015, de nome “Prisioneiros do Castelo de Karabá”, no enredo “Karabá e a Lenda do Menino de Coração de Ouro“, que conquistou o campeonato do Grupo de Acesso.

No ano seguinte, a agremiação reestreou no Grupo Especial e o Samba-Cênico participou do enredo “Ponha um pouco de amor numa cadência e vai ver que ninguém no mundo vence a beleza que tem o samba…100 anos de samba, minha vida, minha raiz”, com a transformação do palanque em tanque de guerra e troca de roupa simultânea em um tecido de quase 20 metros com dizeres da canção “Vai Passar”, de Chico Buarque.

Foto: Paulo Pinto / LIGASP / Fotos Públicas

Histórico do Samba-Cênico

Em 2008, no desfile da Sociedade Rosas de Ouro, no “Rosaessência, o eterno aroma”, criou a primeira dramatização no carnaval, em parceria com a atriz Carla Barbisan, apresentando “O Perfume – A história de um assassino”, de Patrick Suskind. “O impacto no sambódromo foi tão grande que as pessoas se levantaram para aplaudir”, relembra Régis. Com essa sensação de sucesso, aprovação dos sambistas e boas críticas, o ator seguiu com seu projeto nos desfiles seguintes.

Em 2009, no tema “Bem-Vindos à Fábrica dos Sonhos”, Régis interpretou sozinho, no último carro alegórico, um folião que dormia praticamente todo o desfile e apenas despertava no refrão do samba-enredo: “Meu sonho vale ouro. Vai conquistar geral! Só quero acordar, pra te confirmar: deu Rosas nesse carnaval!”. No ano em que a agremiação foi campeã, com o enredo “Cacau é Show”, o idealizador do projeto fez a segunda apresentação em parceria com a atriz Teca Pereira, onde interpretavam um casal de coelhos idosos, que vinham na frente da ala composta por dezenas de coelhinhos jovens – antecedendo a última alegoria.

No ano seguinte, em 2011, no tema “Abre-te Sésamo, a Senha da Sorte”, Régis também contracenou em dupla com o ator Raphael Bueno, que a partir do ano seguinte se tornou seu assistente e braço direito no Samba-Cênico.

Foi em 2012, no enredo “O Reino dos Justus”, que a companhia de teatro estreou com dramatizações de grande porte, com mais de 180 atores, no tema “Morte e Destruição”. “Foi histórico! Arrancamos constantes aplausos e gritos em todos os setores do Anhembi”, relembra Régis, que, enfim, conseguiu junto com a sua companhia, “Teatralizar o carnaval, carnavalizando o teatro”. A máxima acabou virando slogam do projeto e assim a ala conquistou seu espaço nos desfiles da Rosas de Ouro.

Em 2013, o grupo inovou no chão e no carro alegórico, apresentando “A Festa do Mortos” no desfile com o tema “Os Condutores da Alegria, Numa Fantástica Viagem Aos Reinos da Folia”. “Além de impactante, a apresentação foi feita com precisão coreográfica e irreverência”, destaca o coreógrafo. Com sucesso absoluto, a performance do grupo em 2014, “Inesquecível”, foi destaque em todos os meios de comunicação com o tema “Terror-Trem Fantasma”. A apresentação relembrou lendas urbanas como a “loira do banheiro”, o personagem “Chucky”, do filme O Brinquedo Assassino, entre outros. No último ano do Samba Cênico na sociedade Rosas de Ouro, em “Depois da Tempestade, o Encanto”, o grupo interpretou “A Transformação do Amor”, inspirada nos conceitos de moral da história de A Bela e a Fera.

Usina Paulistana de Artes – sede do Samba – Cênico

Tem sua sede em um casarão do século XIX, construído em 1889 e tombado pelo Departamento de Patrimônio Histórico, localizado no tradicional bairro da Bela Vista, coração cultural da capital. Desde de 2004, abriga oficinas, cursos, debates, saraus, exposições e possui espaço para ensaios. “Sempre sonhei com um local de energia artística e, por meio de uma programação constante, um lugar de movimentação construtiva, provocadora, criativa e criadora”, explica Régis coordenador.

Foto: Rede Social Régis Santos
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