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Edson Pereira atrás do quarto desafio seguido

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Depois de divulgar mais uma sinopse da Unidos de Padre Miguel, e com excelente repercussão junto ao público do samba, o carnavalesco Edson Pereira falou ao Tudo de Samba sobre este momento, em que se divide nos trabalhos da alvirrubra e da Mocidade Independente. Quanto à sinopse do enredo ‘O quinto dos infernos’ (leia aqui), confidenciou que a ideia era fazer algo mais uma vez diferente. Desta vez aproveitando o momento de dificuldades que vive o Brasil, quer tratar disso e de outros assuntos com alegria e menos seriedade, já que é de carnaval que se está falando.

– Queria fazer algo que fosse diferente de outros anos, outros trabalhos, este é o desafio. Comecei a buscar temas e diferente de outros anos foi algo bem intuitivo, instintivo. Aproveitando o momento econômico do Brasil, que não é dos melhores, começamos a ver que a coisa não muda. E percebi que naquela época pagávamos um quinto da riqueza aos portugueses e hoje pagamos mais de três quintos do que ganhamos em impostos e nem sentimos o quão grave isso é – ensinou.

edsonpereiratrabalhandoE a sua felicidade ao desenvolver este tema é gritante. Lamenta apenas o fato de o desfile da Série A limitar um pouco a mensagem, já que existe a obrigatoriedade de se contar a história em no máximo quatro setores e quatro alegorias. Entretanto, como não se pretende aprofundamento deste assunto, entende que será bem possível fazer com excelência. Aliás, crê que esta é uma oportunidade de resgate para o carnaval, já que há muito não se vê uma proposta assim, com este formato. Edson não abre mão de ressaltar que é mais um enredo bem diferente dos outros três que tocou na alvirrubra, todos singulares, com características diversas das do anterior.

-A ideia é trazer a crítica mas sem ser agressivo, porque carnaval é alegria. Partimos do nosso sofrimento para a alegria. Está sendo muito gostoso desenvolver este enredo mas pena que no acesso tem uma limitação. Não existe enredo ruim, existe concepção errada. O desafio é tentar contar tudo em quatro setores, com quatro alegorias. No especial podemos nos aprofundar muito mais. Mas como não quero nada sério em termos de abordagem, acho que cabe na Série A será bastante possível fazer bem. Para o carnaval é momento de resgate. Há muito tempo que não vejo enredo neste formato. Pesquisei muito para ter um formato de enredo que me desse um suporte bacana. Ele é diferente dos outros três que fiz na Unidos, enredos dos quais me orgulho muito. E mais: são muito diferentes entre si. Muito se fala sobre o enredo ter a cara da escola tal, uma escola qualquer. Aqui eles têm a cara do Edson, a cara do carnaval – tirou onda.

Já adaptado à jornada dupla carnavalesca, Pereira fica mais incumbido da parte artística na Mocidade, escola com muita estrutura e equipe grande, funções divididas pelos diversos setores. Na Unidos, todavia, tudo precisou ser feito com antecedência, carros e fantasias desenhadas, reciclagem do material do último ano e alegoria desmontadas. Ao contrário do que se imagina, não sobra grana para se produzir o desfile, como atestado em visitas ao barracão no ciclo 2015. E por falar no local de montagem da apresentação, pela primeira vez em quatro anos a escola vai se manter no mesmo endereço, o que motiva demais o artista. Como, apesar das constantes trocas de endereço, os desfiles têm sido grandiosos, é justo se imaginar o próximo, com a manutenção do Cep.

– Na Mocidade, as coisas são mais setorizadas, porque é grupo especial, e você pode tocar mais a parte artística. Na Unidos, eu estou com tudo projetado, apenas alguns detalhes a serem pesquisados para apenas artefinalizar. Carros, alegorias, fantasias, tudo desenhado. A escola já anda e caminhando como sempre. Agora é cuidar do protótipo e vamos também passar a reciclar o carnaval deste ano. Todos pensa, que a unidos é milionária mas não é. A diferença é que aqui a gente se preocupa com isso, com o reaproveitamento. Finalmente, depois de três anos, vamos manter o barracão. E três anos fazendo alegorias grandes e premiadas. Os carros já estão desfeitos e o carro da cana, por exemplo, foi desfeito por insetos, que sãoo responsáveis pela degradação do material – finalizou.

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