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Valentia a serviço da Tradição

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Mais uma grande homenagem. Não importa o palco, não importa o grupo, o carnaval carioca é uma inesgotável fonte de conhecimento histórico, um holofote poderosíssimo para iluminar personagens de grande importância e que nem sempre são lembrados no cotidiano. A Tradição, temporariamente instalada na terceira divisão do samba, traz um tema luminoso. Por intermédio de seu jovem carnavalesco, Leandro Valente, lança o ‘Clementina, cadê você?’, enredo sobre a rainha do partido alto, a inesquecível Clementina de Jesus. Ao Tudo de Samba, o artista conta sobre a escolha do tema, traça um paralelo em relação ao carnaval 2015 e discorre sobre a supremacia da arte sobre a colocação final no desfile.

– Acredito que o resgate, a valorização do samba e da essência do nosso patrimônio cultural precisa ser exaltada. Sou um carnavalesco que gosto do meta enredo, como foi o caso de ‘Majestades do samba: os defensores do meu pavilhão’, na Porto da Pedra. Em 2016 terei a honra em contar um pouco a trajetória de vida e artística da rainha do partido alto. Nossa grande Quelé, Clementina de Jesus. O enredo é uma homenagem ao samba, aos partideiros e à nossa origem – explicou

No último carnaval, a escola alcançou a quarta colocação no Grupo B, com ‘Nhá Chica: a beata negra e guerreira do Brasil’, terminando com duzentos e noventa e oito vírgula nove pontos, atrás de Rocinha, Jacarezinho e União de Jacarepaguá. Leandro  tem toda uma trajetória de enredos autorais, desde o primeiro, em 2013, na Porto da Pedra. Entre o tema de 2015 e este agora, vê similaridades, especialmente por serem mulheres negras, exemplos de superação. Clementina, para se ter uma ideia, era faxineira e teve reconhecimento artístico apenas aos sessenta e três anos de idade.

– Nhá Chica foi uma bênção! Aliás, me sinto bastante honrado em ser um carnavalesco jovem com a confiança dos dirigentes em meus enredos autorais. A força da mulher negra está muito presente nos dois enredos. São histórias de superação. Nha chica virou beata e dedicou sua vida ao amor pelo próximo. Sofreu, foi fruto de um estupro e hoje é adorada por milhares de fieis no Brasil e no mundo. A história de Clementina move os desacreditados. Ela era faxineira e só foi reconhecida e aplaudida aos 63 anos de idade. Subiu aos palcos muito tarde e se tornou uma diva negra, uma rainha sambista. Os dois enredos mostram o poder de superação. Levá-los para a Tradição é traçar um paralelo com o momento de renovação que a escola vive – ensinou.

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Mesmo atravessando fase difícil, é inegável a importância da Tradição no cenário carnavalesco, a partir dos anos 1980. Nascida de uma rusga portelense, abrigou grandes personalidades da cultura brasileira e nos primeiros anos apresentou obras-primas como samba-enredo, que eram compostas por João Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro, dos craques verde e amarelo. Valente entende o tamanho da instituição e quer muito recolocar a Tradição para desfilar na Marquês de sapucaí. Entretanto, é daqueles que acreditam piamente na primazia da arte em relação às notas dos jurados.

– A Tradicao está se reinventando. O fundador Nésio Nascimento passa o legado para sua filha Raphaela, que assume a escola oficialmente dia vinte e oito deste mês. Mas já atua desde o carnaval passado. Estou muito feliz na Tradição, pois a mentalidade de mudança, a ideologia e vontade da presidente jovem me fizeram acreditar na viabilidade deste grande projeto para 2016. Nem sempre ser campeão é ser vencedor. Não me preocupo com resultados. Minha doação é pela Arte e a colocação é uma consequência. Seria hipocrisia dizer que não quero ser campeão! Claro que quero o título e subir com o Condor para a Série A. Mas não projeto o espetáculo pensando apenas nisso – concluiu.

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