Vila Isabel

G.R.E.S. UNIDOS DE VILA ISABEL
www.gresunidosdevilaisabel.com.br

Presidente: Wilson Vieira Alves (Moisés)
Fundação: 4 de abril de 1946
Cores: Azul e branco
Quadra: Boulevard Vinte e Oito de Setembro, nº 382 — Vila Isabel — Rio de Janeiro — RJ — CEP 20551-031
Fone: (21) 2578-0077
Campeonatos: 1988, 2006
Diretor de Harmonia: Délcio Bastos
Mestre-sala e Porta-bandeira: Julinho e Rute
Diretor de Bateria: Mestre Átila
Comissão de Frente: Marcelo  Misailidis
Rainha da Bateria: Sabrina Sato

Logo do enredo Vila Isabel 2010

CARNAVAL 2011

Enredo: ”Mitos e Histórias Entrelaçadas Pelos Fios de Cabelo”
Carnavalesca: Rosa Magalhães
Sinopse do enredo:

Os cabelos têm valores simbólicos. O universo teve começo, segundo a tradição indiana, através da tecedura dos cabelos de SHIVA e ainda, nessa mesma cultura, os cabelos soltos são características de divindades terríveis como VAYU, o vento, e também com Ganga, o rio Ganges, manifestação da divindade acima mencionada, que flui de sua coroa de cabelos emaranhados. Na China, os cabelos dispostos ao redor da cabeça representam o sol. E, também podem ser símbolos de sacrifício como T’ang, que ofereceu seus cabelos em sacrifício pelo seu povo. Assim, essas representações  extrapolam o limite do ser humano, expandindo-se através do universo da simbologia cósmica.

Os índios Hopi do Arizona acreditavam que o corte do cabelo tinha que ser feito de maneira coletiva, durante as festas de solstício de inverno, para não perderem a força vital. O primeiro corte de cabelo do Príncipe Herdeiro dos Incas coincidia com o momento em que era desmamado ao completar dois anos de idade. No mesmo momento em que cortava o cabelo, recebia o nome, tornando-se uma pessoa, fato que acontecia numa grande festa coletiva.  Um caso individual da força do cabelo é a história bíblica de Sansão e Dalila. Ao contrário das histórias relatadas nos dois parágrafos acima, Sansão perdeu os poderes quando lhe cortaram os cabelos. As tranças e os cabelos longuíssimos têm como simbolismo a submissão. A trança dos chineses, a das mulheres russas, e, até mesmo, a de Rapunzel da lenda de Grimm provam este fato. Porém, podem ser também símbolos de salvação como a de Lady Godiva, que se vestiu só com seus longos cabelos e livrou seu povo dos pesados impostos. As perucas foram adotadas por várias razões. Os egípcios, por exemplo, raspavam a cabeça por higiene e usavam perucas para se embelezar. Até mesmo as barbas dos faraós eram postiças. Cleópatra tinha todo tipo de jóias incrustadas nas suas perucas.

Luís XIV, o Rei Sol, possuía também uma grande coleção, que era cuidadosamente tratada e cacheada. No afã de agradar ao Rei de França Luis XVI, as damas da corte se exibiam, cada qual, com apliques cada vez mais extraordinários. Alguns recebiam vasos para flores naturais, cheios d’água, outros pássaros voando presos por fios de seda. Havia também aqueles com tendas militares e canhões, navios, mobília completa de sala e de quarto, jardins floridos, exemplos de algumas das decorações inventadas por essas damas, que a tudo se submetiam, muito bem empoadas com farinha, que possivelmente fazia falta ao povo faminto.

No Brasil, muito do ouro de Minas foi desviado pelos cabelos fofos dos escravos e escravas, e era usado para pagamento de alforria dos negros, para seus adornos filigranados e para a decoração das suas igrejas. No Rio de Janeiro do século XIX eram os escravos de ganho que exerciam as atividades de barbeiro e cabeleireiro. Também acumulavam as funções de vendedores de pentes e remendavam as meias de seda. Mais tarde, chegaram os cabeleireiros franceses para a alegria das damas de então. E, nos remetemos ainda à trança que abalou a Rua do Ouvidor, exposta em uma vitrine de loja de cabeleireiro. Ela foi muito admirada por sua extensão. Depois de muita especulação soube-se que era de uma mineira, que tinha fortes dores de cabeça, por usar essa trança de mais de dois metros de comprimento, e o médico a aconselhou a cortá-la, tendo assim curado a sua mazela.

Mami Wata, figura mítica africana, possuía numa mesma cabeleira invejável, todos os tipos de cabelo: lisos, crespos, ondulados, carapinha, loiros, morenos e ruivos. A Vênus Romana inspirou as “Vênus” loiríssimas do século XX, como Marilyn Monroe.Mas, Lamartine Babo na sua sabedoria, democraticamente, exaltou as morenas, as mulatas, as ruivas, e as loirinhas, todas naturalmente com lindos cabelos escovados, tratados, brilhantes e vitaminados.

Carnavalesca: Rosa Magalhães

Autores do Enredo: Rosa Magalhães & Alex Varela (Historiador)

Bibliografia:

CHEVALIER, Jean et alii. Cabelos. In: Dicionário dos Símbolos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1987, pp. 154-157.

COHEN, Alberto ª. Ouvidor, a rua do Rio. Rio de Janeiro: AACohen, 2001.

JUNG, Carl G. O homem e seus Símbolos. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1984.

MACEDO, J. M. de. Memórias da rua do Ouvidor. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1988 [1ª ed. 1978].

Mami Wata. In: http: pt.wikipedia.org/wiki/Mami_Wata (Acessado no dia 21/07/2010).

MARQUES, Silvia. A História do Penteado. São Paulo: Matrix, 2009.

ROUSSELOT, Bernard. Mythologies. Une Anthologie Illustré des Mythes et Légends du Monde. Paris: Éditions Grund, 2002.

GRIMM, Rapunzes. In: Os Mais Belos Contos de Grimm. São Pulo: Ciranda Cultural Ed, 2007.

Samba-enredo:
Autores: Andre Diniz, Leonel, Prof. Wladimir, Arthur das Ferragens e Pinguim
Ouça o samba:
Intérprete: Tinga
Letra do Samba:

RESPEITE A COROA EM MEU PAVILHÃO
A DESFILAR NA AVENIDA
CARREGA OS FIOS DE ISABEL, DA LIBERDADE
É MINHA VIDA, É A VILA !!!
O BRILHO, A RAIZ, A SEDUÇÃO
O UNIVERSO EM SUA FORMAÇÃO
NAS LONGAS MADEIXAS DE SHIVA
DOS RITOS AOS ASTROS
OS MITOS QUE ENLAÇAM
ANTIGAS TRADIÇÕES
FESTEJANDO NOVAS GERAÇÕES

SANSÃO, FORTE, SE APAIXONOU
O CORTE ENFIM REVELOU DALILA
TRANÇA A PAIXÃO, O NOBRE FIEL
ÀS LÁGRIMAS VIU RAPUNZEL MAIS LINDA

A FORÇA E O AMOR COBRIRAM O CORPO
VENCENDO AS RÉDEAS DA EXPLORAÇÃO
PERUCAS NO EGITO, PODER DIVINAL
NO LUXO DA FRANÇA, ADORNAM O REI SOL
AQUI, ENTRELAÇADO EM OURO
VI FLORIR A ALFORRIA, SONHOS COLORIR
EM TANTAS FORMAS BUSCAR PERFEIÇÃO
PARA OS POETAS A INSPIRAÇÃO, AFINAL…
CHARME E TOM SENSUAL
MOLDARAM A BELEZA DO MEU CARNAVAL

MODESTIA À PARTE, AMIGO, SOU DA VILA
QUEM É BAMBA NEM SEQUER VACILA
ENVOLVIDO ENTRE CABELOS, ME SINTO ARREPIAR
FEITIÇO REFLETINDO NO OLHAR