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Estudioso verde e rosa

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Depois de uma semana de muita intensidade, com a definição de sua não permanência na Caprichosos de Pilares, após um carnaval muito marcante, o carnavalesco da Mangueira, Leandro Vieira, falou ao Tudo de Samba sobre a sua atual fase de trabalho. Embora iniciante na carreira, o artista possui boa experiência no ramo, tendo navegado por algumas funções até aqui, de ritmista a criador de figurinos. Conta sobre a necessidade de estudar sempre e o quanto tem se esforçado na pesquisa dos possíveis temas da verde e rosa, nos mais variados assuntos, da sua admiração por Rosa Magalhães e de suas referências carnavalescas.

– Estou em fase de muito estudo, diante das possibilidades de enredo da Mangueira. Tenho feito pesquisas na Biblioteca Nacional, em acervos particulares e outras fontes bibliográficas. Isso tudo é para não ser pego de surpresa com a definição do tema. Sabemos como funciona isso, as escolas têm necessidade de desenvolver parcerias que viabilizem o desfile, é assim com a maioria e aqui não é diferente. A diretoria está buscando, temos algumas frentes, e vou trabalhando nelas, simultaneamente – informou.

Partidário da necessidade de um conhecimento aprofundado do assunto a ser desenvolvido, acredita que nunca é demais estudar. Avisa que mesmo nos enredos descartados, o carnavalesco pode aprender e guardar dali trunfos para possíveis trabalhos futuros. Ressalta que aconteceu isso no último carnaval, já que antes de chegar à definição do ‘Na minha mão é mais barato’ flertou com outras vertentes e isso o enriqueceu, podendo se utilizar daquelas matérias em desfiles vindouros.

– Penso que hoje está muito fora de moda estudar. E não falo do carnaval, apenas. Cada um tem uma maneira de agir e a minha só se viabiliza a partir de um conhecimento aprofundado sobre qualquer tema. Minhas ideias boas surgem através de muito suor, não de inspiração ou intuição. Para não ser pego com a cabeça vazia quando o enredo é definido, sempre me ambiento com as possibilidades. Quando um tema é descartado, posso mesmo assim guardar para um trabalho futuro, algo que fica na manga, como aconteceu na Caprichosos. Tenho certeza que terei boa noção de desenvolvimento na hora que for batido o martelo na Mangueira – comemorou.

landro e pamplona
Leandro valoriza sempre suas referências, como Pamplona

Iniciante declarado, fez sucesso em Pilares exatamente por mergulhar no estilo crítico da escola e respeitar isso. Em depoimento ao Tudo de Samba meses antes do desfile de 2015, já sinalizava a necessidade de se abrir mão de eventuais preferências pessoais em prol de um respeito às práticas da instituição de carnaval (leia aqui). Na Estação Primeira garante que isso não mudará e isso será possível graças às inspirações que possui dentro do próprio evento. Rosa Magalhães, mestria e destreza sacramentadas, é bastante citada por Leandro, como a maior pensadora do carnaval. Afirma que a sua abordagem e narrativas são inigualáveis, conseguindo transformar bagagem intelectual em projeto plástico e sendo capaz de comover gregos e troianos, como fez pela São Clemente, com a homenagem a Fernando Pamplona, outra cabeça privilegiada. Mesmo não sendo contemporâneo, revela que usa como referências os lendários Arlindo Rodrigues e Viriato Ferreira, aos quais conhece por vídeos, cabedais de amigos e buscas inúmeras. Arlindo, considerado o gênio barroco do carnaval, foi homem de teatro e televisão, figurinista renomado. Estreou no Salgueiro em 1960 e sempre foi destaque, posto que criador de um estilo inconfundível. Viriato teve sua carreira iniciada no antigo Teatro de Revista e no carnaval atuou um tempo como braço direito de Joaozinho Trinta, na Beija-Flor, alcançando seu apogeu na Portela, tendo feitos diversos trabalhos, especialmente sendo responsável por um trio de desfiles espetaculares, entre 1979 e 1981 (‘Incrível, fantástico, extraordinário’, ‘Hoje tem marmelada’ e ‘Das maravilhas do mar fez-se o esplendor de uma noite’). Beber nestas fontes é um passo primeiro e seguro rumo ao êxito.

– Sou fã declarado da Rosa Magalhães. Ela é a maior pensadora do carnaval e nada se equipara ao seu pensamento enquanto narrativa carnavalesca e sua abordagem do samba. Creio que o grande mérito do carnavalesco seja transformar o conhecimento intelectual em plasticidade capaz de emocionar, de comover todo mundo. Quero muito isso para mim. Minha personalidade foi moldada nos anos 1990 e Rosa reinava. Por isso, acredito ser fundamental a ampliação do meu conhecimento intelectual, histórico e invisto nisso demais. Por exemplo, as minhas duas maiores referências plásticas, Arlindo Rodrigues e Viriato Ferreira, são o supra-sumo do que se viu de tradicional no carnaval. E os conheci por pesquisas, vídeos de seus desfiles. arquivos particulares de amigos e muita história. Este conhecimento será indispensável neste meu processo de formação e posso, sim aplicar parte disso neste trabalho na verde e rosa – finalizou.

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