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Inspirada por Nelson Mandela, Imperatriz Leopoldinense quer debater racismo

No último domingo (27/7), a Imperatriz Leopoldinense recebeu os sambas-enredo concorrentes ao posto de hino oficial da Rainha de Ramos no Carnaval 2015, quando a verde e branco traz o enredo “Axé Nkenda, um ritual de liberdade – E que a voz da liberdade seja sempre a nossa voz” a ser desenvolvido pelo carnavalesco Cahê Rodrigues. O diretor de Carnaval da escola, Wagner Araújo, falou ao Tudo de Samba que viu com bons olhos as obras apresentadas e enfatiza nível alto em pelo menos metade dos sambas:

dscn0506– Foram apresentados 13 sambas. Eu esperava até mais, uns 16, 18 por aí. Em tese, quanto menos sambas você recebe, menos sambas de qualidade você consegue abstrair. Mas não foi o caso. Das treze obras, observamos pelo menos seis (6) de grande capacidade. O que poderia ter sido decepcionante num primeiro momento, foi ótimo, partindo da qualidade de boa parte das obras exibidas. O nível está excelente! E domingo começam as audições oficiais. Não sei ainda se faremos cortes já no próximo domingo (03/8). No transcorrer da semana vamos decidir – revelou

Sobre o enredo, Wagner Araújo fez questão de explicitar que o debate sobre o racismo e liberdade serão as bandeiras da escola:

-Não é propriamente um enredo afro. Queremos levantar a questão do racismo e da liberdade, duas das principais lutas de Nelson Mandela. Ele, sim, é o nosso inspirador.  Através de todo o legado que ele nos deixou, queremos defender um pouco desses motes. Claro, vamos apresentar aspectos referentes à África, mas não é simplesmente falar sobre o continente.  Quer dizer, não existem negros só na África, e a liberdade é um conceito debatido universalmente. É muito mais que África. Vamos falar sobre o racismo, baseado no manifesto de Mandela, que é uma figura histórica e que sempre tratou o tema sem revanchismo, sem desejo de vingança, apenas de igualdade e liberdade – pontificou

Conhecida tradicionalmente por enredos históricos, a Imperatriz surpreendeu ao anunciar para 2014 uma homenagem ao ex-futebolista Zico, uma personalidade venerada pelos amantes do futebol, e por isso um enredo chamativo e de alto viés popular. Em 2015, não perdendo o embalo, a verde e branco fala sobre racismo, temática constantemente debatida pela sociedade de modo geral. Wagner reconhece ajustamento da Imperatriz aos novos tempos do carnaval:

-Desde o enredo sobre o Pará chegamos a esse entendimento que é necessário se adaptar à festa. Hoje temos um espetáculo dinâmico, precisamos estar atualizados nesse contexto atual. O Zico era um enredo muito forte, e mesmo assim fugimos do óbvio, com todo o desenvolvimento do Cahê. E agora, surgiu essa possibilidade do Mandela, e através dele, falarmos de um tema altamente atual que é o racismo e seus desdobramentos, além de reerguer o conceito de liberdade em nosso carnaval. A figura do Mandela é extremamente representativa e foi uma escolha feliz -finalizou

Há 13 anos sem levantar o caneco, a Imperatriz Leopoldinense vai em busca do 9° título no Grupo Especial. A Rainha de Ramos será a 5° a desfilar na segunda-feira de carnaval.

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Written by Redação TDS

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