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Felicidade e esperança no Império Serrano

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Confirmada como coreógrafa da comissão de frente do Império Serrano, a primeira-bailarina do Theatro Municial do Rio de Janeiro, Claudia Mota, já começa a intensificar o ritmo de trabalho. Além de pensar no carnaval, começa a encarar a época em que começam os ensaios para os espetáculos de Ballet, as temporadas que vão de agora até o Quebra-Nozes, em dezembro. Ao Tudo de Samba, falou sobre alguns temas, como a comparação que sofre com o trabalho bem sucedido de sua irmã, Priscilla Mota, e seu cunhado Rodrigo Neri, a decepção com a atitude da Estácio de Sá, que preferiu mudar de profissional mesmo depois das quatro notas dez que alcançou, o que pensa em relação ao futuro do quesito e especialmente sobre o desafio na alviverde, depois da linda recepção que teve por parte dos integrantes da escola.

– Fiquei sensibilizada com a forma que o Império Serrano me recebeu. Nunca esperei por isso. Cheguei na quadra e parecia que estava por lá há dez anos, tal a empatia que tive. Desde a primeira reunião, percebi que a diretoria e os colaboradores são pessoas que só querem o bem da escola, que vão levantar a bandeira custe o que custar. Isso foi um diferencial muito grande e na primeira conversa vi que daria certo. Não senti pressão, embora saiba que fui contratada para obter as notas máximas. Muita energia boa, tranquilidade e gentileza de todos. Equipe boa e confio no Severo Luzardo, até pelo fato de ter tido sempre bons diálogos com os carnavalescos com os quais trabalhei. Na hora da execução, os dois podem nem concordar mas têm que respeitar o espaço do outro. E tenho fé que isso vai acontecer. O enredo do Império Serrano é incrível, já conversamos mas ainda não finalizamos a ideia da comissão. pretendemos surpreender no sentido emocional, já que isso conta muito nos grupos de acesso, pela ausência de elementos alegóricos, tripés. Deverei aproveitar alguns da equipe do ano passado e creio que vamos nos emocionar e emocionar o imperiano  – confia.

Confiança depositada pelo povo da Serrinha emocionou a bailarina
Confiança depositada pelo povo da Serrinha emocionou a bailarina

Algo que parece inevitável no momento é uma espécie de comparação, mesmo que de leve, com o trabalho extremamente vitorioso da atual dupla de coreógrafos da Grande Rio, Priscilla Mota e Rodrigo Neri, irmã e cunhado seus. O desconhecimento neste tipo de observação é latente, pelo fato de os três terem trabalhado juntos, tendo começado na época da Tradição, no ano de 2005.  Além disso, com o justo cartaz conseguido no Ballet, Claudia acredita que uma das receitas para o sucesso em comissões de frente será repetir a dedicação e a disciplina tão inerentes ao seu êxito na dança, como fez em 2015.

– Tem sempre a comparação com a Priscilla e Rodrigo mas é por falta de informação, já que a gente trabalhou junto, também. Sempre trocamos informações e ajudas conceituais no carnaval. Entretanto, quando concorremos, mantemos segredo em relação aos nossos trabalhos. Eu sou de me cobrar demais. Tudo o que pratico no Ballet brasileiro carreguei pro carnaval, que não deixa de ser uma empresa. Vemos a dedicação das pessoas, o amor, o trabalho, e não queremos decepcionar. E outra coisa: é o meu nome em jogo, faço não apenas pelo dinheiro mas muito pelo desafio profissional. A confiança que depositam em nós é que é o gás, o nosso sustento – afirmou.

Sobre o futuro do quesito, pensa que o momento é de reflexão. Entende que se pode arriscar bastante, desde que tenha garantias de uma boa realização. E define como fundamental a discrição, a velha boquinha calada, sem o deslumbramento e a necessidade de aprovação que fazem às vezes a expectativa ser maior que a obra que se pode alcançar.

– Temos que tomar cuidado, já que arriscamos muito, às vezes. Não penso que tenhamos que tentar superar uma outra equipe, nada disso adianta. Em dois minutos de apresentação não se tem que trazer o mundo ali, já que o tempo não permite que se consiga tanto. Minha irmã, por exemplo, sempre tenta se superar. O Marcelo Misailidis tenta cada vez ser mais criativo. Eles vão errar mas vai ser raro, pois trabalham com garantias, questão de segurança e competência. Tudo depende do que o enredo pede e um segredo é a discrição. Tem muita gente se exibindo em ensaios às cinco da manhã só para chamar a atenção. Chega a nota e aí vemos o que acontece – explicou.

Um assunto espinhoso, sem dúvida, foi  a inesperada saída da Estácio de Sá, que se deu mesmo depois de ter obtido as quatro notas máximas possíveis. Uma decepção imensa, posto que curiosamente foi o seu quesito decisivo na vitória sobre a Unidos de Padre Miguel. Em carnaval vencido por três décimos de diferença, a comissão de frente da Estácio obteve cinco décimos a mais que a adversária direta, além de mais um décimo perdido pela escola da zona oeste por ter apresentado elemento alegórico, o que é proibido no regulamento. Dá para afirmar, portanto, que Mota e sua turma botaram o título debaixo do braço, sendo decisivos na conquista estaciana.

– Olha, que decepção senti. Recebi um telefonema de um diretor de harmonia e ele me informou que estavam contratando o carnavalesco Chico Spinosa e que este teria preferência por outro nome de coreógrafo. Foi um baque, já que nunca esperava isso, até pelo fato de o meu quesito ter sido decisivo no título da escola. Fiquei extremamente decepcionada, triste, porque a dedicação foi enorme. De fato, conseguir quarenta pontos e sair não é o normal mas a vida segue e torço demais para a Estácio permanecer na elite, já que é uma super escola, de raíz mesmo – finalizou.

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