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Mocidade e Mangueira conquistam a Sapucaí

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Simpático castor conduzindo a Mocidade livre

Não dá para saber quem ganha o Carnaval. Mas no concurso de exposição de marca deu Mocidade. 2015 é dela. É a dona dos holofotes. É Paulo Barros camisa 10. É Cláudia Leitte. É investimento pra lá e pra cá. Dentro da cena carnavalesca é: vai ganhar, não vai? Vai dar certo, não vai? Conspícua e no topo das prioridades midiáticas do Carnaval. Muito bom, inegavelmente. Principalmente para uma escola que passou por anos de baixo astral. Fotos, reportagens, furos sensacionais, exclusivas. Tudo isso para a Mocidade, que há pouco mais de um ano, só tinha notinha de possível afastamento, dívidas, barracão atrasado. Não culpo nenhum torcedor por achar que vai ganhar ou até que já ganhou. Faz bem. Exercício de orgulho. Na quarta de cinzas, se ganhar, é ensoberbecimento do bem. E se perder é frustração típica dos melhores. Um martírio que só passa quem almeja. Os sonhos movem o homem, e a Mocidade, sob nova direção, é sonhadora. Esta crônica é escrita por visões pessoais, mas sempre aglutinada por outras opiniões que escuto na avenida. Claro, não há verdade única num universo tão subjetivo e idiossincrático. E conversando sobre o ensaio da verde e branco vislumbrei uma linha tênue entre “desorganização” e “brincadeira”. O que separa essas duas frentes? O julgamento, apesar de ser bem claro, sempre parte das subjetividades. Será que a exigência de todos por uma correção na evolução não engessou as escolas? Não acabou com o espírito brincalhão que sempre fez o Carnaval ser Carnaval? A popularização não partiu daí? A brincadeira ficou séria. Quanto isso custou? A Mocidade mexeu com o público de uma maneira cativante, inquestionável. E isso faz falta. O termo “blocão” é ofensivo. Diria que a Mocidade foi livre, planou sem restrições. Uma brincadeira poética de carnaval, nostálgica. Outro ponto super positivo e que denota a empolgação foi o canto estridente. Cantou mais alto o samba que qualquer outra escola a passar até aqui. Alguns erros foram notados. O samba foi atravessado algumas vezes. No entanto, é bom destacar que a sonorização completa da pista impedirá esses erros extremos de Harmonia. Há um problema sério que chama atenção. Na parte da letra que diz “Cantava, brincava, sorria…”. É impressionante o número de pessoas que cantam “Andava pelado…” que é o verso procedente. Melodia parecida faz esse desencontro, punível em Harmonia. Não sei se o jurado, em seu espaço a 5 metros da pista e a 3 de altura, terá como observar. Na cabeça da escola, na altura da segunda cabine, tamanha a distância do carro de som, a porta-bandeira Lucinha Nobre, teve de comandar o canto da ala que vinha na sequência. Não seria função dela. Mas a experiência de Lucinha fez a diferença. Logo o encaixe veio, e o casal pode se apresentar com a maestria esperada. Batia um vento, o que sempre atrapalha. Mas o encaixe parece muito bom. O samba da Mocidade poderia ter uma pegada mais firme. Mais para frente. É uma questão de estilo. Mas nesse tema não dá para deliberar contrariamente. O samba funcionou em conjunto com o contingente. A Mocidade não fez um ensaio ruim, nem ótimo, foi fora dos critérios padronizados de análise dos ensaios técnicos. Uma grande brincadeira, com poucos limites e muita festa. Muita gente sentiu-se abraçada. E muitos outros atingidos e decepcionados. O certo é que a Mocidade vai continuar o seu trabalho e deixou o legado de que a evolução das escolas pode ser repensada e julgada de outra forma. O desfile promete ser empolgante.

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Raiz de Mangueira

A Mangueira tem a vocação das erupções populares. O dom da catarse espontânea. É a Mangueira, né? Do buraco quente ao jequitibá germinado pelas estruturas pregressas do samba. Da margem ao espetáculo. A Mangueira viveu de tudo. Nasceu de Cartola e Cachaça e outros. Sambistas egrégios. O Carnaval é a Mangueira. Representa o que há de mais puro no samba. O sambista saudoso deveria se apegar ao verde e ao rosa, como um porto seguro anti-modernismo. Ela não precisa nem quer ser de vanguarda. Ela foi a vanguarda egressa do nada, junto de sua irmã Portela. Cuidado que a Mangueira vem aí é sempre bom lembrar. Ensaio técnico muito competente. Comunicação com o público tão potente quanto a da Mocidade. Dois canhões, realmente. E a Mangueira teve presença retumbante de torcedores. Um espetáculo em verde e rosa. Um ensaio auspicioso à Mangueira, e assim foi. Carlinhos de Jesus e sua comissão não apresentaram muita coisa. Trivial. Mas ajudou a potencializar o bater de palmas das arquibancadas. O casal Raphael e Squel deram um show. Espetacular o casamento dos dois. Que elegância, que vitalidade, deixam sua marca. Casal sincrônico na alma. Cativantes, emocionais. É obra de arte emoldurada pela Sapucaí. A Mangueira cantou o ótimo samba, tocado pelo cada vez melhor Luizito. A Harmonia mostrou potencial para ser ainda melhor. Única restrição à parte final da escola que não manteve o índice da cabeça da Manga, esta impecável. Alguns trechos do samba se destacam para os componentes, isso é sempre perigoso. As energias não devem ser localizadas, devem ser distribuídas por todo o samba. Óbvio que o refrão catapulta. Mas a parte das mulheres de Mangueira, não refrão, é cantada mais enfaticamente, deixando de lado outros trechos, que servem como um descanso. Quase uma zona de espera pelo grande momento. A evolução teve o mesmo viés de queda na reta final. Faltou espontaneidade, faltou fluência e equidade com a cabeça da escola, tão esfuziante, tão feliz e organizada. A Mangueira ainda nos reserva muitas emoções daqui até a eternidade. E assim será 2015. Vai disputar, não vai? O importante é a Mangueira não perder essa característica emocional. Identidade mangueirense trazendo o marejar dos olhos e fazendo o melhor possível, com sua linda velha-guarda, o garbo da ala das baianas e a boa juventude aguerrida. Que Mangueira continue assim!

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Written by Redação TDS

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