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Passo a passo: Série B com belas escolas na Intendente Magalhães

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Na Avenida Intendente Magalhães, samba de verdade. Escolas com experiência, história e garra, vale muito a pena acompanhar esta ode ao carnaval. Abaixo, o resumo de cada performance, imediatamente ao fim de cada desfile.

1ª escola –  Acadêmicos da Abolição

Deu ruim. Abrindo a terça-feira de carnaval, na Intendente Magalhães, a alviverde trouxe consigo diversos problemas que devem inviabilizar a permanência no grupo. Ao invés das vinte baianas mínimas exigidas no regulamento, apresentou apenas dez delas. como casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, um diretor de harmonia e uma baiana foram colocados para desfilar em tão decisiva função.

Como todo castigo é pouco, a bateria se apresentou sem fantasia, embora mostrasse bom balanço. a comissão de frente, composta de membros da Velha-Guarda, mesmo animada, não veio coreografada. Muitos problemas tendem a levar a escola ao descenso.

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2ª escola –  Unidos de Lucas

Segunda escola a desfilar, a tradicionalíssima escola de Parada de Lucas desfilou com o enredo de Max lopes, ‘Em busca do destino”, e trouxe muita animação aos componentes, que cantaram demais.. A bateria, com belas paradinhas, levantou a moçada que foi prestigiar. A alegoria, com o tradicional Galo de Ouro, trouxe duendes, mago, cartomantes, formando uma apresentação bastante aceitável,  com fantasias belíssimas.

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3ª escola – Unidos da Vila Kennedy

Mais do que uma análise do desfile da escola, cabe transcrever o desabafo do carnavalesco Edson Siqueira, a saber:

‘ESCLARECIMENTO à comunidade da Unidos da Vila Kennedy: não se faz nada sozinho. Não existe trabalho que dê certo quando as pessoas só aparecem na semana do carnaval para poder “mostrar serviço”. Há 1 mês estou direto no barracão, com poucas pessoas, e muitas vezes quase proibido de ir em casa até mesmo para pegar roupa limpa. Por diversas vezes fiquei com fome e sede e nenhuma dessas pessoas que agora bradam que são Vila Kennedy na semana do carnaval foi lá perguntar se eu precisava de ajuda.

Nada do que foi combinado pelo meu trabalho foi cumprido. Mesmo assim, reutilizei diversos materiais e procurei sempre acreditar que tudo se resolveria. Até anotar pessoas que iam desfilar o carnavalesco aqui fazia. Fiz papel de Diretor de Carnaval e até mesmo de chefe de ala.
Conforme postei aqui há 2 dias, comecei a forrar o carro alegórico SOZINHO, e apenas no dia seguinte pude contar com a ajuda de alguns voluntários. Agora é fácil dizer que “fulano de tal” terminou o carnaval. Fiquei na escola até o dia do desfile, há 2 dias sem dormir, exausto, no limite. Não conseguia nem mais pensar.
O descaso é tão grande que a alegoria chegou na concentração com a lateral destruída, por incompetência de um reboque que sabedor que não receberia, se vinga no carro alegórico.
A escola não teve nem Harmonia. Fiz o cronograma do desfile e, apesar de cada um ter um em mãos, inverteram toda a ordem do desfile, comprometendo assim sua leitura.
Todos os profissionais que prestaram serviços remunerados (costureiras, aderecistas de alas) só trabalharam ou entregaram seus trabalhos depois de receberem. Exigências diversas. Por qual motivo o Carnavalesco não precisa receber?
Por que será que a Comissão de Frente não compareceu ao desfile, mesmo estando pronta?? Porque o coreógrafo deixou claro que, se não recebesse a segunda parte do que foi combinado, não entraria na avenida. Por que faltaram armações para algumas alas? Porque o ferreiro não recebeu o combinado.
Por diversas vezes trabalhamos eu e mais alguns guerreiros enquanto alguns diretores ficavam sentados bebendo cerveja e batendo papo e às gargalhadas…. e depois cada um ia para sua casa e nós ficávamos sem água ou algo pra comer. Humilhação tem limite.
Eu fui até o fim. Ou eu terminava o carro na avenida ou resolvia outras coisas. Mas como sempre, no final, a culpa é sempre do carnavalesco. Mas tenho testemunhas da minha quase exaustão, quase estafa, por muitas vezes desrespeitado por “profissionais” arranjados pelo suposto Diretor de Carnaval, que só aparecia no barracão de 2 em 2 dias e mesmo assim, depois das 23h. Na noite anterior ao desfile, o Diretor de Carnaval dormiu a noite toda, enquanto eu e mais 4 pessoas tentávamos terminar o que tinha que terminar. Hoje é fácil dizer que “terminou o carnaval”.
As pessoas que iam na quadra e viam minha situação, são testemunhas.
Agradeço imensamente a garra da minha chefe de ateliê Nazaré, que incansavelmente trabalhou na escola. Agradeço também à Rita e Dayane, mãe e filha, que trabalharam para ajudar.
O carnaval não era só meu. Era meu e de muita gente. Mas as pessoas acham que só eu devo carregar o peso. Até minha camisa do desfile sumiu…..
O intérprete da escola, caso não recebesse o combinado, também não compareceria ao desfile. O prazo era até hoje na quadra. Se ele foi ao desfile é porque recebeu. Nada mais justo!!! Mas e os outros profissionais?
Quem trabalha sem receber o que foi combinado?
Quem me conhece sabe da minha capacidade.
Algumas escolas precisam aprender a respeitar, valorizar seus profissionais e acima de tudo, cumprir o que foi acordado.
Tenho minha consciência tranquila de que fui leal. Mas não recebi de volta.
Boa noite a todos.

Carnavalesco Edson Siqueira

Entretanto, ao homenagear a Vedete Virginia Lane e a cidade de Barra do Piraí , apresentou desfile razoável, com destaque para a bateria.

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4ª escola – Unidos da Ponte

A transformação do guerreiro em santo. O mote do enredo da escola meritiense, uma homenagem a São Sebastião, foi bem desenvolvido mas ocorreram muitos problemas. Por pouco não houve atraso do cantor Pingo e do casal Jhony Kiss e Emanuelle Martins. A ala de baianas passou abaixo do limite mínimo (20), com apenas dezesseis senhoras. Escola compacta, cronograma respeitado, mostrando alegoria grande, bonita. Fantasias boas mas uma das alas passou sem chapéu. O canto foi muito bom e a bateria segurou tudo com muita competência.

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5ª escola – Unidos do Jacarezinho

Com torcida forte,  sempre uma marca dos seus desfiles ao longo do tempo, dezesseis alas cantando alta, o talento de Eduardo Gonçalves, ex-carnavalesco do Império Serrano, o Jacarezinho veio para ganhar. Uns pequenos probleminhas na evolução não tiraram o brilho da excelente apresentação. Sobrou na turma até aqui e está credenciada à disputa do campeonato.

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6ª escola – Favo de Acari

A tricolor de Acari, com enredo falando sobre o CEASA, mostrou um bom samba, um canto fortíssimo. Alguns problemas ocorreram, especialmente na evolução, com um buraquinho aqui e ali. Mas o saldo foi altamente positivo. Cuidado, apuro, belas fantasias, notou-se um bom investimento. Destaque para a ala das crianças. Favo está muito na briga, assim como a escola anterior.

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7ª escola – União de Jacarepaguá

Mais um carnaval do espetacular de Jorge Caribé, um artista importante da nossa festa. A alviverde joga em casa, desfilando perto de sua quadra. Tiaozinho Cruz, sempre uma bela voz, defendeu com maestria o bom samba. Com o enredo ‘Da Corte de Abatolá à terra dos Tupinambas!’, a escola foi muito bacana, passou na ordem determinada pela sinopse e teve um senãozinho na comissão de frente, com o pano da cabeça dos componentes caindo, um turbante, que acabou retirado. Mas foi um espetáculo dentro do evento e pode-se dizer passou com pinta de campeã.
8ª escola – Unidos do Cabuçu

Uma favorita de véspera, a tradicional escola cantou ‘Nossa Senhora Aparecida – O Milagre!’, de autoria de uma Comissão de Carnaval. E sempre é de emocionar a passagem de um instituição assim tão prodigiosa. Infelizmente, com muitos problemas, fantasias simples, visível ausência de verba, de grana mínima, não veio bem. Muita comunidade, muita força e pouquíssima plástica. Resta agora esperar a abertura dos envelopes, na quinta-feira.

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9ª escola – Arranco do Engenho de Dentro

Reeditando um enredo originalmente criado pelo Paulo Barros, em 2001, ‘Oh! Que saudades que eu tenho!’, a escola veio com um conjunto plástico extraordinário. Uma alegoria motorizada, em prata e azul, com uma criança dormindo, o circo e o sonho da bailarina, soldadinho de chumbo, algo sensacional. Bateria com uma bela levada, acompanhando o samba alegre, um grande trabalho do Mestre Paulinho, filho de Mestre Esteves. Apenas um pouco fria, mas  com sérias pretensões de título.

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10ª escola – Rosas de Ouro

Uma apresentação boa. Com bom samba, luxo nas fantasias e bela alegoria, bem acabada, a escola apresentou o enredo ‘Maquiagem: A arte da transformação!’, do carnavalesco Marcus Vinícius do Vai. A evolução foi bem arrastada e a bateria trouxe apenas um tamborim. O casal de MS e PB foi bastante interessante, se destacando no desfile. Não vai brigar pelo título mas deu o seu recado.

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11ª escola – Arame de Ricardo

Que desfile bom. Um samba pra cima, bela melodia, letra interessante. Joel Santana, no tripé (foto de Bruno Silva), levantou a avenida com seu carisma e sua simpatia, bem carnavalesca. Com o enredo ‘Tá de brincadeira?’, a escola não titubeou e partiu com tudo rumo a dias melhores. Boa alegoria, comissão de frente animada (foto) e grande canto. Bateria, composta por ritmistas da Beija-Flor, não decepcionou, empurrando a briga para o corpo de jurados.

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12ª escola – Mocidade Unida do Santa Marta

De olho em mais um título, a Mocidade do Santa Marta não se acanhou por estar na Série B. Após o título da Série C em 2014, a escola alviceleste mostrou um trabalho de quem não quer parar de vencer. Com abre-alas correto e boas fantasias para descrever o enredo “O dia em que o povo tomar a rua é Carnaval” de Rafael Gonçalves e Vítor Saraiva, a Santa Marte deixou seu recado. Os componentes foram guerreiros e cantaram o samba com disposição. Competitiva!

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13ª escola – Tradição

Veio arrebentando. A Tradição que passou anos e anos fora dos holofotes e sem protagonismo dá indícios de que pretende voltar, sob a batuta do presidente Nésio Nascimento. Fez um desfile superior aos que vinham passando na Sapucaí da própria escola em anos anteriores. Bastante compacta, o condor pôde otimizar sua evolução. Mostrou-se estruturada. Canto forte, animado. Samba muito bem construído, com refrão esfuziante. Teve um problema de evolução logo no início, com a abertura de um tímido buraco, mas fora isso um lindíssimo desfile, com destaque para a fantasia do casal de mestre-sala e porta-bandeira, com grande luxo nos parâmetros do grupo. Um lindíssimo conjunto de fantasias e lindo abre-alas, e o belo trabalho de Leandro Valente foi reverenciado por quem esteve na estrada. Bateria com todas as possibilidades da nota 40. O quesito foi contemplado, uma ala completa. A Tradição despertou e está na briga pelo título.

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14ª escola – Sereno de Campo Grande

“De azul e branco a coruja pinta o 7 na avenida” enredo criativo sobre os simbolismos do número sete. Foi uma produção de Amauri Santos e Eduardo Pinho. O Sereno sempre pujante nos acessos parece ter perdido aquele elã de outrora. Iniciou até com um abre-alas bonito com sua bela coruja, mas teve problemas com fantasias. Alguns figurinos pouco apurados, contidos e sem impacto. Faltou algo a mais para disputar boas posições na Série B e diante do cenário de seis escolas rebaixadas corre riscos.
15ª escola – Unidos da Vila Santa Tereza

Comandada plasticamente por Marcus Ferreira, carnavalesco ex-Estácio de Sá e Renascer, a Santa Tereza teve uma abertura bastante colorida, mostrando um pouco de seu garbo. O enredo “Aquarela negra de Debret” foi bem apresentado. Faltou mais contundência dos componentes no canto e na espontaneidade na evolução. O abre-alas tinha um bom jogo de cores, porém com acabamento com leves falhas. As fantasias estavam criativas e driblavam o recurso financeiro exíguo. Um trabalho digno. O ótimo Niu Souza puxou muito bem o alegre e funcional samba-enredo da azul e branco. O problema da Vila foi de fato a intensidade do canto e evolução não tão empolgada.

16ª escola – Acadêmicos do Engenho da Rainha

Muito bonita e com boas soluções, a Engenho da Rainha veio para tentar equilibrar ainda mais a disputa pelo título. “Laojúobá, o grande vencedor se ergue além da dor” foi o enredo criado por Diangelo Fernandes. Prometendo muita africanidade e bom gosto, a alvirrubro não pecou em sua proposta. O componente demonstrava cansaço. Faltou emoção e esmero no ânimo para impulsionar o evoluir e o cantar. Com ótima plástica, o Engenho da Rainha mostrou um investimento transcendental. Um dos maiores carros a desfilarem nas primeiras horas desta quarta-feira de cinzas. Iluminação em dia, muito trabalho de palha e ótimo gosto. Houve demonstração de bom nível, mas não pareado a Tradição, União de Jacarepaguá e Jacarezinho, às melhores até o momento.
17ª escola – Acadêmicos da Rocinha

Apoteótica! Esse epíteto cai bem para a tricolor de São Conrado. Um desfile pra lá de especial, de quem faz parte da Sapucaí. Voltando a ser Rocinha. Uma escola orgânica, que tem de onde tirar. Não do bolso, mas dos pés, com samba. Samba cantado aos berros. Uma obra muito bem sacada por Flavinho Segal e todo o time compositor super campeão por lá. Sempre uma obra pra cima, vibrante e com passagens melódicas criativas. A profecia do samba-enredo se cumpriu: Rocinha, chegou a hora de mostrar superação. “Borboleteando nos destinos da vida. O que te desafia, te transforma” de Alex Oliveira e Christine Moutinho foi o enredo contado. E as alegorias e fantasias, com minimalismo incrível e ludicidade. Carro de som muito bom, comandado por Leléu sempre resistente, um puxador de muita valência que mostrou sua força. Sensível aos momentos de cacos, sem viés de queda, o cantor oficial deu show. Bateria, a melhor do grupo, segundo os especialistas, com destaque para a afinação. A Rocinha redimensionou o favoritismo na batalha por uma vaga na Série A. Rocinha nas cabeças.

18ª escola – Acadêmicos do Sossego

Outro grande desfile. Sossêgo, bálsamo, tranquilidade. Essas foram as palavras expressas nos semblantes ao final do desfile da escola de Niterói. Vir depois da Rocinha não é fácil para ninguém. Mas um bom Carnaval para fechar os trabalhos. Muitas cores fortes, cítricas. Tripés bem iluminados. O enredo “Banananás – O encontro da Rainha Mariola Banana Pacova do Congo e d’Angola com o Rei Amazônico Ananás Ibá-Cachi, da Corte dos Abacaxis de Serpa” dos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad. O samba-enredo com um refrão muito forte aconteceu com sucesso na pista. Bom trabalho para permanecer, com alguma tranquilidade, no grupo.

 

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