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Paulo Barros: “Enredo autoral é um parque de diversões pra mim”

Por Diego Barreto

Nos últimos cinco carnavais foram três campeonatos, um vice e um terceiro lugar. Dono de estilo único, que consegue agradar público e jurados, o carnavalesco Paulo Barros abre no Carnaval de 2015 um novo ciclo, agora à frente da Mocidade Independente de Padre Miguel. E ele começa pelo fim. Com o enredo “Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria se só lhe restasse um dia?”, que questiona o que cada um faria às vésperas do juízo final, o artista prepara mais um espetáculo que tem tudo para trazer a escola da Zona Oeste de volta à disputa pelo título. Em entrevista ao Tudo de Samba, Paulo fala um pouco sobre a chegada à casa nova, sobre o enredo e revela o que faria se estivesse em seu último dia. Confira:

TDS: Fazer um carnaval para a Mocidade é um desafio? Alguma vez já tinha pensado em assinar um trabalho na agremiação?

PB: – A gente sempre pensa fazer algumas escolas. A Mocidade é uma delas, por conta da própria história da agremiação. Era criança e vi a Mocidade desfilando. Eu agora me vendo responsável pela estética plástica da escola, para mim é bem gratificante. Assumir uma posição que quando eu era muito novo nunca me imaginei numa posição dessas. Mas eu enxergo isso de forma bem natural, e acho que a Mocidade também.

TDS: Qual o clima predominante hoje na escola de Padre Miguel?

PB: – O sentimento da escola hoje é de renascimento. O perfil da Mocidade sempre foi de escola campeã e a nova administração trouxe isso, esse sentimento novo da escola se levantar, se reerguer.

TDS: Você, em outra ocasião, já disse ser fã do trabalho do Fernando Pinto, principalmente “Tupinicópolis”. A Mocidade tem Pinto e outros carnavalescos que marcaram época. Como é fazer uma escola com esse perfil?

PB: – O grande erro da Mocidade, e até dos últimos artistas que vieram para cá, foi tentar ressuscitá-los. O Fernando Pinto, principalmente, foi um cara que transgrediu no carnaval. Só que a escola acostumou a ficar batendo nisso. Não que a gente tenha que esquecer isso, a gente deve ter isso como referência, como alicerce. Você manter aquela raiz ali por baixo, mas florescer isso de maneira diferenciada.

TDS: Seria algo como mesclar um pouco do estilo da escola com seu estilo?

PB: – Eu venho para cá com tudo isso, mas acreditando no que eu faço. A minha maneira de trabalhar, o meu perfil, a minha estética. Não vou fazer nada que seja referência de nenhum deles (carnavalescos que marcaram a Mocidade), mas uma referência minha, própria. Acho que, como alicerce, todas essas figuras servem exatamente como estrutura para saber que estamos numa escola que acredita num projeto, e o projeto vai ser meu.

TDS: Quando o enredo de 2015 foi anunciado, alguns pensaram que seria sobre o fim do mundo. Mas na verdade é sobre como cada um viveria seu último dia. Em algum momento você trará imagens de catástrofe?

PB: O enredo não tem espaço para isso (catástrofe). A referência ao fim do mundo será na abertura, mais especificamente no abre-alas, onde a gente faz a pergunta o que você faria se o mundo fosse acabar. Que exatamente é o que a música do Paulinho Moska e do Billy Brandão faz. No abre-alas, a gente vai ver uma referência ao que seria o fim do mundo, para que as pessoas se manifestem, dando o seu relato do que fariam no último dia de vida delas.

TS: Você tem vontade de fazer esse enredo há uns três anos. Muita coisa mudou no desenvolvimento desse trabalho desde que a ideia surgiu?

PB: – As pessoas acham que a gente tem ideia de enredo e isso é desenvolvido imediatamente. Eu nunca vou tomar uma decisão que eu venha a me arrepender. Quando tenho um enredo para trabalhar, eu tenho que pensar muito nas soluções. Nunca vou dar uma primeira ideia que eu tenho como solução definitiva. Eu nunca consigo conceber um enredo a partir de uma ideia. Isso vai sendo criado e formatado ao longo do ano. Claro que chega uma hora que eu tenho limite e preciso entregar um produto final. Mas, a partir de um tema ou enredo que venha ser desenvolvido, a primeira ideia, como comodidade, nunca mais ser inserida no enredo. Eu vou buscar boas soluções para que o trabalho seja diferenciado.

TDS: Depois de três anos fazendo enredos patrocinados, qual a sensação em voltar a desenvolver um tema autoral. O que muda na concepção do trabalho?

PB: – Enredo autoral é um parque de diversões pra mim. É a liberação das ideias, é a libertação da criação. Quando você tem um enredo encomendado, você se prende a ele e vai solucioná-lo. E vai até demorar um pouco mais de tempo para achar as soluções. No autoral, as ideias ficam fervilhando na sua cabeça, é muito mais fácil solucionar a partir do momento que você tem liberdade.

TDS: Paulo Barros o que você faria se só lhe restasse um dia. Se o mundo fosse acabar, o que você faria?

PB: – Se eu fosse brincar com isso, diria que gostaria de ver a escola ser campeã. Mas se eu tiver que responder a respeito da minha vida, e eu tivesse que escolher, eu faria de tudo para ser feliz: conviver com as pessoas ao meu redor, ir à praia, andar de montanha-russa, apesar de eu odiar. O enredo da Mocidade trata exatamente disso. A mensagem é faça do seu dia, todos os dias, como se ele fosse o último. E viva esse dia na sua plenitude.

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Written by Redação TDS

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