in , , , , ,

Quem vai ficar com Max?

Por Kaio Sagaz

maxlopes-1

O “Mago das Cores”, como ficou conhecido Max Lopes, oficializou sua saída da Vila Isabel depois de um decepcionante resultado no carnaval 2015: terminou em 11º lugar. Max assinou o enredo “O maestro brasileiro está na terra de Noel. A partitura em Azul e Branco da nossa Vila Isabel”, homenageando Isaac Karabtchevsk, maestro que popularizou a música erudita no Brasil. O desempenho foi abaixo da crítica e não emplacou sua renovação com a Vila. Com um sentimento de insatisfação, ele questiona os jurados:

– Não estou de acordo, não entendi as notas, fiz a escola resgatar a dignidade perdida. As alegorias estavam bem, a plástica estava boa. O enredo era sobre cultura, nosso país esta decadente, eu não ganhar um 10 nesse tema, achei um absurdo e fiquei muito triste. A Vila poderia até não ter ficado entre as campeãs, mas acho que deveria ser mais honrada pelo desfile que fez – concluiu.

Alegoria criada por Max Lopes, na Vila Isabel, com o maestro Isaac Karabtchevsk
Alegoria criada por Max Lopes, na Vila Isabel, com o maestro Isaac Karabtchevsk

O carnavalesco que assinou seu primeiro desfile na Unidos de Lucas, em 1976, completará, no ano que vem, 40 anos de serviços prestados ao Carnaval carioca com três títulos inesquecíveis. O primeiro, na estreia do Sambódromo, em 84, com o enredo “Yes, nós temos Braguinha”, pela Mangueira. Já com a Imperatriz Leopoldinense, conquistou o título de 1989 com tema “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós”. Voltando a Estação Primeira, venceu em 2002, com “Brasil com Z é pra cabra da peste, Brasil com S é nação do Nordeste”.

No Carnaval de 1982 ele assinou o enredo “É hoje”, pela União da Ilha, que o notabilizou com “Mago das Cores” e imortal da Academia Brasileira de Belas Artes (ABBA).

União da Ilha, 1982
União da Ilha, 1982

Mesmo com todo esse currículo, Max Lopes pode ficar sem escola no Grupo Especial para 2016. O artista não vence um Carnaval há mais de uma década e coleciona resultados infelizes nos últimos anos. Sobre isso, Max se defende:

– Faço o carnaval de acordo com o enredo e a escola. Não faço milagres, dependo do funcionamento geral da escola. Os pitacos é que atrapalham. A imprensa é muito minha amiga, mas eu preciso de uma boa mídia e isso faz parte do jogo, facilita para a aceitação das ideias. Na Mangueira, onde me respeitam, fiquei cinco vezes entre as campeãs. Tudo depende do clima entre o carnavalesco e a escola.

O presidente da Estação Primeira, Chiquinho da Mangueira, escola com a qual o artista mais se identifica, foi taxativo quanto à possibilidade de contratar Max como carnavalesco:

– Eu não apostaria no Max. O carnaval mudou e se renovou. Eu não sei o que aconteceu com o Max que não evoluiu nesse processo. Ele esteve em uma época em que a Mangueira ganhou tudo, mas só contaria com ele caso fosse como um consultor ou algo do tipo. Ele poderia ficar por cima, da mesma forma que a Rosa (Magalhães). Cada um sabe a hora que tem que parar e ele tem que avaliar isso. Não apostaria minhas fichas nele porque vou apostar em uma ficha nova – frisou o dirigente.

A carnavalesca da São Clemente, Rosa Magalhães, entende que o artista não precisa ser tão radical:

– Eu acho que o Max já construiu uma carreira de sucesso. Nunca trabalhei com ele, mas fez desfiles belíssimos, como o da Imperatriz, em 1989. Tudo muda. Nos anos 90 eu tinha que dar aulas pelo computador e me sentia um peixe fora d’água, hoje tenho até tablet em casa. Temos que andar conforme a música – completou.

Em 1989, Max já trazia carro coreografado na luxuosa e campeã Imperatriz
Em 1989, Max já trazia carro coreografado na luxuosa e campeã Imperatriz

 

As agremiações postulantes ao título não o qualificam mais como prioridade. Max vê as portas se fechando cada vez mais:

– A Rosa Magalhães é mais antiga que eu e está muito bem. Espero que eu tenha uma vaga no ano que vem, estou esperançoso, existem especulações, mas ninguém me ligou ainda – revela o artista, que admite não se encaixar no estilo atual do espetáculo.

– Toda essa modernidade afasta a essência do espetáculo. Por eu ser tradicionalista, tento não denegrir o samba. Eu fico fora dessas inovações, pode ser por isso que estou perdendo espaço. Sei que ainda posso fazer grandes desfiles. Quero trabalhar em escolas que defendam o tradicionalismo – concluiu.

What do you think?

0 points
Upvote Downvote

Written by Redação TDS

João Vitor Araújo deixa a Viradouro

Mudanças na bateria da Mocidade Independente