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Sinopse da Porto da Pedra: carequinha de conteúdo

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A Unidos do Porto da Pedra divulgou a sinopse para o carnaval 2016. Com o enredo ‘Palhaço Carequinha: paixão e orgulho de São Gonçalo’, esperava-se da alvirrubra um texto mais bem elaborado, pesquisa minuciosa, um arrazoado à altura do seu homenageado e do próprio tamanho da instituição, que é imensa. Mas lamentavelmente o que pode ser lido abaixo é um festival de lugares-comuns, um manancial de obviedades e, mais impressionante, a gramática sendo por vezes até ignorada.

O trabalho carnavalesco, seja em qualquer setor, há muito vem se tornando altamente especializado. Embora muitas vezes a remuneração e o reconhecimento fiquem bastante aquém da importância e até mesmo da rentabilidade da festa, fantasias, alegorias, comissões de frente, bateria e todos os segmentos são frequentados e desenvolvidos por figuras da mais alta capacidade técnica, até com prestígio internacional. E a pesquisa de enredo é uma dessas funções imprescindíveis. O Tudo de Samba inclusive contou  a história do pioneiro no assunto, pesquisador Marcos Roza (leia aqui), com toda sua trajetória de implementação e valorização deste trabalho decisivo no desenvolvimento e execução de qualquer tema.

E algo tão rico em nossa cultura, como a história do nosso mais famoso artista circense, foi tratado e retratado com amadorismo incompatível com o atual estágio de detalhamento do desfile das escolas de samba, mesmo que da Série A. A tradição, a imponência e o potencial de uma escola como a Porto, de enredos tão marcantes, merecem ao menos uma revisão, uma repaginada, quem sabe até um outro script para uma recriação que possibilite partir de um ponto possível a um carnaval à sua altura. A leitura abaixo é uma aventura e talvez dê para encarar com senso de humor apurado.

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Sinopse, abaixo

Enredo: PALHAÇO CAREQUINHA: PAIXÃO E ORGULHO DE SÃO GONÇALO

O sangue circense corria nas veias da minha família desde os meus antepassados. Meus pais foram trapezistas e equilibristas. esta foi a maior herança que eles passaram para mim. “O amor ao circo”. Conta a lenda que minha mãe grávida de mim, estava fazendo performance no trapézio quando entrou em trabalho de parto, assim nasci (literalmente) no picadeiro e nesse mundo encantado de sonhos e fantasias a minha vida inteira dediquei.

Minha vida se dividiu em “dois amores”, o primeiro pelo “circo” e o segundo pela “cidade que me adotou minha amada,“São Gonçalo.” E é através desses dois amores que contarei a minha vida. O palhaço Carequinha surgiu quando eu ainda um menino de apenas 05 anos, recebi do meu padrasto uma peruca careca e me disse “A partir de hoje você é o carequinha” o menino gostou da ideia, sentiu que tinha o dom para fazer rir e não parou mais.

Aos 12 anos eu já era o palhaço oficial do “circo ocidental”, tradicional circo da época.

“O palhaço da televisão”: fui o primeiro palhaço a ter um programa de televisão brasileira, o “circo bombril”, (rebatizado “circo carequinha”), programa que comandei nas décadas 50 e 60 na extinta TV Tupi, sempre acompanhado de minha troupe, ( os palhaços Fred, Zumbí e Meio Quilo). Nos anos 80 apresentei um programa infantil chamado “circo alegre”, ma também extinta TV Manchete, que serviu de bases para o programa “clube da criança”, da jovem Xuxa.

Em 2001, fiz sucesso na “ Escolinha do Professor Raimundo”, juntamente com Chico Anísio na TV Globo. Meu último trabalho na televisão, também na Rede Globo, com uma participação na minissérie “hoje é dia de Maria” em 2005.

O Palhaço e a música: O carequinha não foi um excelente palhaço, mas também um grande vendedor de discos. Gravou 26 discos e 184 compactos.

Com apenas 23 anos, inicio a carreira de cantor na “rádio Mayrink Veiga”, no programa entitulado, Picolino. 

O primeiro grande sucesso foi a música “ fanzoca de rádio”. Era uma marchinha de carnaval que ironizava as donas de casa e empregadas domésticas que paravam o serviço para ficar ouvindo seus ídolos no rádio. A música foi campeã do carnaval de 1958, estourando nas rádios do Brasil. Dentre suas músicas destacam-se “sapo cururu”, “marcha soldado”, “escravos de Jó”, “samba lelê”, “Ai, ai, ai, carrapato não tem pai”, dezenas de outras e o inesquecível “o bom menino” (aquele que não faz xixi na cama, respeita e família e vai pra escola”), sua música de maior sucesso.

Inventei as brincadeiras com crianças, tão comuns hoje nos programas infantis. Eu as pegava, para dar cambalhota, rodar bambolê, calçar sapatos, vestir paletó, brincadeiras com Macãs e furar bolas.” Criei bordões que ficaram imortalizados como: “hoje tem Marmelada? Tem sim senhor!” “ E o palhaço o que é? É ladrão de mulher!”. E me consagrei com o tradicional “tá certo ou não tá, garotada? Que era respondido sempre com um empolgante “táááááá!”, e se tornou sua marca registrada.

Recebi homenagens e títulos mundo a fora e na Itália ganhei o “prêmio de melhor palhaço moderno do mundo.” Participei de vários programas de auditórios, novelas, filmes, minisséries. Cantei dancei, sabei, brinquei, sorri, chorei, crianças e adultos eduquei, mas a minha, amada cidade retornei.

Atravessei várias gerações como ídolo infantil e eterno amante e divulgador de São Gonçalo. Fui intitulado o palhaço presidente, como Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, dentre outros. Cheguei em, São Gonçalo, muito Novo e ali vivi, por muitos e muitos anos. Me irmanei, com seu povo e juntos crescemos. Aprendi e presenciei belas histórias que ao longo de séculos transformaram minha cidade. Uma delas conta que no século XVI,chegaram os primeiros europeus em nossa região, mas esta já era ocupada por um povo indígena, conhecidos como “Tupinambás ou Índios Tamoios.” A fundação da cidade se dá com a chegada de um nobre português chamado “Gonçalo Gonçalves” que recebe do governador de capitania do Rio de Janeiro, a “Sesmaria” localizada ás margens do Rio Imboaçú.

Ele constrói no local onde está a “igreja matriz”, uma capela e da a ela o nome do santo de sua devoção e batismo, “São Gonçalo do Amarante”, dando assim origem ao nome e a cidade.

Pouco tempo depois Senhores Fazendeiros de Engenho se rebelam contra a cobrança de taxas sobre a cachaça e marcham até a cidade do Rio de Janeiro. Tal episódio ficou conhecido como a “revolta da cachaça.”

São Gonçalo foi crescendo e no século XVIII, muitas eram as “fazendas”, os “engenhos” de açúcar e aguardente, e as lavouras: de mandioca, feijão, milho, arroz, laranja e café (em São Gonçalo foram plantadas as primeiras mudas de café que chegaram ao Rio de Janeiro), que prosperavam significativamente e fazia a cidade crescer e hoje são “heranças” do belo passado “colonial” de nossa cidade.

A cidade recebeu por diversas vezes o “Imperador Dom Pedro II”. Este era amigo pessoal do “Coronel Belarmino Ricardo de Siqueira”, rico fazendeiro proprietário das Fazendas, Engenho Novo e Jacaré. Quando das visitas do Imperador a “Vila” de São Gonçalo, hospedava-se nas Fazendas do amigo, O Coronel foi condecorado pelo Imperador com o título de “Barão de São Gonçalo”.

No ano de 1909, São Gonçalo realiza a “Primeira corrida automobilística do Rio de Janeiro” e “Segunda do País”, realizado em um circuito que percorria as ruas da cidade, e que foi vencida pelo carioca Gastão de Almeida (pioneiro da aviação brasileira), pilotando uma Berliet 60 HP.

Na década de 30 a cidade possuía o mais importante parque industrial do estado, o qe lhe valeu o apelido de “Manchester Fluminense”.

Sinto falta das viagens de “Bonde” que fazia por toda cidade, contemplando sua beleza, e de descer na Parada 40 para observar o tempo passar no “Relógio de Sol” (Único relógio de sol vertical de duas faces do mundo).

É muito bom contemplar a Praia das Pedrinhas e sua tranquilidade; ver a encantadora Ilha de Paquetá, bem como o exuberante complexo de Ilhas de Jurubaiba, das Cobras, das “Flores e do Sol”, (Onde a sedutora “Luz Del Fuego”, “criou a primeira praia de Nudismo do Brasil”): observar a beleza do pôr do sol sob o deslumbrante espelho d’água da Baía de Guanabara e curtir as crianças e famílias se divertindo no Piscinão de São Gonçalo.

Aqui é realizado um dos maiores “tapetes de sal” de corpus Christ do mundo. Foi aqui que “nasceu a umbanda” (única religião genuinamente brasileira), criada por Zélio de Moraes.

Recordo-me com os olhos marejados do “palacete do mimi”, onde dancei com a alta sociedade fluminense, em seus grandiosos bailes. O palácio era suntuoso, nele funcionava um cassino que recebia visitantes de todos os lugares do Brasil e personalidades ilustres como: o pintor de Cavalcanti, compositor Villa lobos, escritores Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Tersilia do Amaral, jornalista Irineu Marinho (fundador do jornal e idealizador da TV globo). Wilza Carla, Betty Faria, Zezé Macedo, outros. Hoje infelizmente ele não existe mais, e são apenas lembranças, como: Dedé Santana (palhaço, eterno Trapalhão); Altair Veloso, Claudia Leite, Claudio Zolly, Selma Reis, Mc Claudinho e Buchecha, Mc DIEDY (cantores e cantoras), Bismark, Jean, Ibson, Altair, Helton, Luiz Alberto (jogadores de futebol), Zizinho (Jogador de fuebol – um dos maiores jogadores de todos os tempos), Geremias de Mattos Fontes ( ex-governador do RJ), Mario Lúcio (o carioca – humorista), Juliana PAES (atrizes), o fictício personagem Augustinho Carrara, dentre outros.

Hoje o que me resta são as doces lembranças de tudo que vivi, e ver com alegria, que o “GRESU do Porto da Pedra” dá continuidade a este legado, levando dignamente o nome de SÃO GONÇALO para todos os cantos do Mundo.

Pois o Espetáculo não pode parar Bravo! Bravo!

SÃO GONÇALO nós te amos e fazemos muito por você.

E você PALHAÇO CAREQUINHA, estará para sempre alegrando nossos corações.

“TÁ CERTO OU NÃO TÁ?”

O SOLO GONÇALENSE TEM O DOM DE GERAR GRANDES FRUTOS PARA O MUNDO.

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