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Sinopsezinha bacana, na malandragem salgueirense

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Pioneirismo sempre foi uma das marcas do Salgueiro. A Academia tem, isso no DNA. E em 2016, após dois segundos lugares, o caminho do título passa obrigatoriamente por sair na frente da concorrência. Enredo definido, planos prontos, chegou a hora de divulgar a sinopse, possibilitando aos compositores uma criação bacana e tempo para buscar inspiração.

Presidente Regina Celi, falou com exclusividade ao Tudo de Samba. Ouça, abaixo.

Confira a sinopse:

Eis… o malandro “no palco” outra vez.

Vem chegando assim de viés,

Sambando miudinho, dizendo no pé!

Pisa suave, riscando no asfalto os passos de uma ópera bem carioca.

Uma obra em seis atos, embalada por um samba em homenagem

à nata da malandragem.

Por isso, se segura, malandro!!

Vem aí…

SALGUEIRO 2016

A ÓPERA DOS MALANDROS

Malandro…

É o tipo que entra faceiro na roda, abre o jogo e fecha com os seus.

É o Rei da Ginga, Rei da Noite, o Barão da Ralé!

Sagaz, invoca os personagens de um Rio lírico, nesta ópera tão pomposa

que só um malandro poderia sonhar.

(Ou tão ordinária que qualquer mendigo poderia pagar).

Malandro…

Vai flanando triunfal por entre deuses e meretrizes, rainhas e monarcas…

Delirantes fidalgos desta magnífica ópera das ruas.

É aquele que faz das calçadas o palco das ilusões.

Atento, não dorme no ponto nem cochila na linha.

E só baixa a guarda quando o sol dá o ar de sua graça.

Malandro…

É o mestre-sala das alcovas.

O bailarino dos salões, o cavaleiro errante dos morros cariocas.

Atua nas madrugadas, caminhando na ponta dos pés, como quem pisa nos corações.

À luz do abajour, ama a todas que quiser.

Das muchachas de Copacabana às mimosas da Praça Tiradentes.

Malandro…

Dono de um jeito manso que é só seu de aparar os dilemas da vida no fio da navalha.

É o sujeito cordial que desfila macio entre dados, cartas e roletas.

É o rei de todos os naipes num carteado de damas, valetes e coringas.

Aquele que, mesmo quando o jogo vira contra, nunca joga a toalha.

Porque é o filho gerado no ventre da sorte, a imperatriz do mundo!

Malandro…

É o pensador dos botequins, filósofo das mesas de bar!

O dono de um mundo que aprendeu a domar.

Poeta, comanda o cortejo na cadência bonita do samba vadio

que o luar lhe emprestou.

Malandro…

Um homem de fé, que fecha o corpo e abre os caminhos ao próprio destino.

Que não foge à luta e que pede a paz!

Entidade saudada em mojibás, laroiês e saravás.

É aquele que entra na gira pra fazer o mundo girar.

Que guia a roda na palma da mão para sua gente ir adiante.

É o dono da rua que vive na alma de cada carioca da gema,

povo que “TRABALHA PACA”!!

Que vai pro batente de todo dia chacoalhando guias e cordões no trem da Central.

Malandro…

Astro maior desta ópera

Que segue rumo ao ato derradeiro.

E quando a luz se apagar…

A orquestra silenciar…

A poeira assentar no chão…

A plateia, de pé, em delírio…

Bate palma e pede bis!

Pois, a cada carnaval, ele renasce no coração de todo bamba.

Afinal, malandro que é malandro nunca sai de cena…

Vira samba!

                                                            

Carnavalescos: Renato Lage e Márcia Lage

Enredo: Diretoria Cultural G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro

Enredo livremente inspirado na obra  “A Ópera do Malandro” de Chico  Buarque de Hollanda.

Setores:

1º Ato (Abertura): A NATA DA MALANDRAGEM

2º Ato: A ÓPERA CARIOCA

3º Ato: … PRA SE VIVER DE AMOR

4º Ato: ENTRE DADOS, CARTAS E ROLETAS

5º Ato: FILOSOFIA DA MALANDRAGEM

6º Ato: APOTEOSE AO MALANDRO DE FÉ E DE PAZ

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