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Voando baixo

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Dona de capacidade intelectual acima da média, Marcella Alves sempre traz bons pensamentos, ótimas visões. Bailarina e profissional gabaritada na Educação Física, a Porta-Bandeira mostra intensa preocupação com o preparação atlética na prática de sua arte no carnaval. Não que despreze a importância da técnica, nada disso. Sem ela não se consegue um desempenho favorável, mesmo que faça triatlo regularmente. O fato é que com baixo rendimento físico, a performance artística fica extremamente comprometida no decorrer de qualquer desfile. Embora em tese ainda falte bastante tempo até a apresentação na avenida, não descuida um minuto sequer da forma, sempre utilizando o pouco tempo livre entre uma aula e outra que ministra para aperfeiçoar a capacidade cardiovascular, aumentar força e potência e ganhar ainda mais resistência, já que, como dizia Giovanni Improtta, a Sapucaí é mesmo grande.

Acha que é fácil ser bonita assim?
Acha que é fácil ser bonita assim?

– Nos últimos tempos, os casais têm se preocupado muito com a preparação física. Desde que me formei na Universidade procuro aperfeiçoamento contante da resistência aeróbica aplicada à dança de Porta-Bandeira na avenida. Inclusive, minhas teses de graduação e pós-graduação envolveram o tema. Abordei primeiro a maior importância para as Portas-Bandeiras do preparo físico em relação à técnica da dança, e depois aprofundei o assunto, trazendo os tipos específicos de preparação física, voltados especificamente para a nossa função. Eu mesmo fui minha cobaia, fazendo vários testes. Tudo o que imaginávamos na teoria acabou acontecendo na prática. Pelas análises, acabei reforçando a certeza da necessidade de um bom condicionamento para atravessar a Sapucaí. A boa técnica sempre será afetada pela baixa capacidade física e a falta destas valências, geradoras de equilíbrio e boa coordenação motora, pode arruinar uma participação e redundar em nota baixa, especialmente do meio para o fim do desfile – afirmou.

Inclusive, uma das razões pelas quais admira demais o Salgueiro é o fato de a escola colocar toda uma equipe à sua disposição. Além da coreógrafa Elizabeth Bejani, a alvirrubra entrega um preparador físico, Bruno Germano, e o nutricionista Rafael Góes. Ainda assimilando o golpe recebido com as notas de 2015 (quatro décimos perdidos, sendo dois descartados), Marcella lamenta o fato de este ter sido o ano com treinamento mais intenso. Conta que já se reuniu como Mestre-Sala Sidclei e com Elizabeth Bejani e viram e reviram a apresentação, lamentando demais o ocorrido. Trabalho é a palavra de ordem e, sentindo alguma dor, vão superando o resultado e partindo para pensar no ciclo que está se iniciando.

– Curiosamente, foi o ano que a gente mais treinou. Sentei com a Elizabeth Bejani e lamentamos demais o ocorrido. Optamos por seguir as tendências do quesito e vamos trabalhar. Conversamos muito e chegamos à conclusão de que a solução é trabalhar ainda mais em cima do que tem que ser. Ainda sinto alguma dor, mas é no sentido de eventual vacilo, sei lá. Mas vai passar e vamos em frente com toda força – falou, mostrando bastante esperança.

Quanto aos ensaios do ciclo 2016, estes estão prestes a iniciar. A partir de trinta de maio próximo, com o início dos eventos oficiais na quadra da escola, o casal começa a trajetória do próximo desfile. A musa acrescenta que os ensaios em separado rolarão apenas a partir de junho e com carga horária reduzida, duas horinhas semanais, Em outubro, o bicho começa a pegar e o ritmo e a intensidade vão aumentar sensivelmente. Finalizando, adverte que a penalização que sofreram não foi de ordem técnica e, caso fosse, já estariam vinte e quatro horas mergulhados nos treinamentos. Com nova concepção e dançando como a atual música dos jurados pede, não admite nada diferente de quatro graus dez, em nove meses.

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